O ano que passou foi o mais irregular da vida da Cena Lusófona.
Terminado o tempo de vigência do último protocolo com o Estado (Dezembro de 2003), solicitámos ao Instituto das Artes, entidade responsável pelo acompanhamento do projecto, segundo a letra do documento, uma avaliação do trabalho produzido desde 1996 tendente à renovação do acordo pelo mesmo período (quatro anos).
A avaliação foi positiva, mas a decisão que nos foi comunicada pelo I. Artes determinou que no ano de 2004, considerado de transição, o valor financeiro da prestação do Estado fosse reduzido para menos de metade do habitual. Ficou a garantia, renovada em vários encontros com quadros superiores do Instituto e mesmo com o Secretário de Estado da Cultura, de que um novo instrumento de acordo seria negociado até final do ano.
Infelizmente não foi isso que aconteceu. A decisão de apoio deste ano foi-nos comunicada em Outubro, o pagamento foi efectuado em Dezembro e, até este último mês do ano, não foi possível concretizar qualquer acordo.
Esta situação de indefinição teve, naturalmente, consequências na planificação e na execução do nosso plano de trabalho em 2004.
A pior consequência foi, talvez, o cancelamento do Encontro de Salvador (Bahia) previsto para Novembro. Outras acções foram anuladas ou proteladas para este ano, na esperança de uma resolução definitiva.
Conseguimos, no entanto, em parte consequência dos pagamentos da Capital da Cultura que ficaram em atraso, sustentar um conjunto de actividades nas várias áreas de actuação do programa, como fica demonstrado adiante. Entre estas, conseguimos não perder de vista a implantação dos Centros de Intercâmbio de S. Tomé e de Bissau, projectos que implicam maior continuidade. Dedicámos uma atenção especial à consolidação do nosso Centro de Documentação e Informação, em especial no que se refere à base de dados sobre o teatro lusófono e à edição do cenaberta em papel e on-line que traduzem um nível apreciável de tratamento e disponibilização de informação.
Marcámos presença em vários festivais e espaços de encontro e discussão, em Portugal e nos outros países - em especial no Brasil -, mantivémos acções de formação e participámos em actividades de criação artística. Temos, no entanto, a consciência de que não é possível um ano de 2005 igual ao de 2004. Houve alguns avanços no relacionamento autárquico que definiu uma prestação financeira anual e já anunciou que a obra para as novas instalações no Pátio da Inquisição está prestes a arrancar. Mas não podemos ter ilusões, a indefinição do Ministério da Cultura, a persistir, determinará o encerramento do projecto.
Este tipo de intercâmbio, pelos custos que implica, só é possível com o envolvimento do Estado.
Podemos oferecer a concepção e execução das actividades, mas não se nos pode exigir o seu financiamento. |
|