Mais de duas dezenas de realizadores, produtores e programadores cinematográficos portugueses lançaram esta semana uma petição intitulada “Cinema Português: Ultimato ao Governo”, alertando para a situação dramática que o sector atravessa, em consequência dos cortes no financiamento público. A situação "não tem paralelo em mais nenhum sector de atividade” e é contraditória com o crescente e “indiscutível reconhecimento" internacional que o cinema português vem obtendo.
"Tabu", de Miguel Gomes, vencedor do Prémio da Crítica no Festival de Berlim/2012
No texto da petição, que conta já com perto de dois mil subscritores, denuncia-se o estado do sector, causado pela não abertura de qualquer concurso em 2012 e pelos atrasos na concretização dos financiamentos atribuídos em anos anteriores: “A produção de novos filmes está paralisada – e uma boa parte das empresas produtoras na iminência de encerrar, atirando para o desemprego milhares de pessoas – e a distribuição, os festivais, os cineclubes, a promoção internacional, sem quaisquer apoios”.
Os signatários reclamam ainda pela urgência de aplicar a nova Lei do Cinema, que, apesar “acolhimento positivo por parte de todo o sector, continua a ser uma promessa por cumprir”.
Entre as exigências explicitadas no documento, pede-se que “o Governo encontre uma solução de emergência para a situação de rutura e descalabro financeiro do Instituto de Cinema" e que a “versão definitiva da nova Lei do Cinema seja tornada pública de imediato".
Num encontro que juntou em Lisboa, na passada quinta-feira, os realizadores João Salaviza, Miguel Gomes, Marco Martins, João Botelho, João Canijo e José Nascimento, os actores Nuno Lopes e Carlotto Cota, os produtores Humberto Santana e Maria João Mayer e as deputadas Catarina Martins e Inês de Medeiros (Bloco de Esquerda e Partido Socialista, respectivamente), foi anunciado que iria ser pedido uma audiência ao primeiro-ministro. Em declarações à agência Lusa, o produtor Luís Urbano justificou: "Não temos um interlocutor, o secretário de Estado não manda nada, é preciso falar com quem manda e quem manda na Cultura é o primeiro-ministro".