O compromisso editorial do jornal Cenaberta é o de contribuir para tornar mais fluente a informação teatral no conjunto dos países de língua portuguesa. Referenciar contactos, fontes de informação, recursos e agentes teatrais, divulgar iniciativas de intercâmbio entre os vários países, fomentar o conhecimento e a curiosidade sobre cada uma das várias culturas em cena, fornecer visões de conjunto que ajudem a fazer comunidade.
Quer neste versão em papel, quer na sua correspondente versão on-line (onde podemos ser mais exaustivos), Cenaberta tem procurado tratar com alguma sistematicidade os territórios específicos da actividade teatral. Dedicámos os dois números do ano passado a inventariar a edição teatral e o sector dos festivais no contexto da CPLP.
Este número inicia o conhecimento concreto da área do ensino formal do teatro: as escolas existentes, os seus programas, os seus corpos docentes, os seus responsáveis. A recolha não foi fácil e não estará isenta de erros ou omissões. Fica o pedido para que nos corrijam. Acontece ainda que, em Portugal decorre o chamado “processo de Bolonha” que visa normalizar o ensino superior europeu e obriga as escolas e os cursos a uma reestruturação profunda, pelo que algumas destas informações podem sofrer correcções brevemente.
Este número inicia o conhecimento concreto da área do ensino formal do teatro: as escolas existentes, os seus programas, os seus corpos docentes, os seus responsáveis. A recolha não foi fácil e não estará isenta de erros ou omissões. Fica o pedido para que nos corrijam. Acontece ainda que, em Portugal decorre o chamado “processo de Bolonha” que visa normalizar o ensino superior europeu e obriga as escolas e os cursos a uma reestruturação profunda, pelo que algumas destas informações podem sofrer correcções brevemente.
Gostaríamos de ter complementado este dossier, já neste número com um painel de opiniões constituído pelos responsáveis docentes das diversas instituições, o que não se tornou possível em tempo útil. Pretendemos retomar este tema num dos próximos números.
Ao falar dos próximos números, não é possível ocultar que este tipo de trabalho pioneiro no nosso panorama de internacionalização, tem o futuro ameaçado, caso se confirme a desatenção e o desinteresse dos poderes públicos registados nos anos mais recentes. Este fenómeno é tanto mais estranho quanto a chamada internacionalização da nossa cultura e, em particular, as nossas relações culturais na lusofonia, são chamadas, no discurso político dos últimos anos, mais do que nunca, à ribalta das prioridades. Estamos a incluir no discurso político o próprio programa governativo que é bastante claro neste particular.
Se queremos pensar a sério o intercâmbio cultural na CPL, se pensarmos que a cultura deve estar no centro de um novo relacionamento pós-colonial, então é necessário conceber uma estratégia que aponte uma actuação em várias frentes. A frente da informação e do interconhecimento é, seguramente, das mais importantes: a informação básica noticiosa, criando canais próprios e regulares; a informação através de visões mais globais, panorâmicas, como é o caso destes dossiers; a informação de conteúdos e de crítica – falamos por exemplo, da necessidade de ganhar uma nova consciência do corpus concreto da dramaturgia em língua portuguesa (e do extraordinário contributo que nos dá hoje o Brasil, em volume e em qualidade, assim como as novas dramaturgias africanas); a informação recolhida e organizada em centros documentais especializados.
O jornal Cenaberta é um dos pólos dinamizadores de um programa mais vasto de intercâmbio, a Cena Lusófona, que articula o trabalho deste jornal, do site que gere na Internet, da revista Setepalcos, de uma colecção de dramaturgia em língua portuguesa com a gestão de um Centro de Documentação e Informação (CDI), instalado em Coimbra. Todo este trabalho que se exige profissional e especializado, que acumula um acervo único e uma experiência de dez anos, pode agora ser interrompido a breve prazo por falta de financiamento.
Com esta atitude não se defrauda apenas um conjunto de homens de teatro que tomaram a decisão pioneira de propor um programa exclusivamente dedicado ao intercâmbio, que provaram o seu interesse e demonstraram o seu resultado, mas toda uma rede activa, construída por centenas de agentes e criada com presença efectiva em todos os países da comunidade.
O que pensa disto a CPLP, o Ministério da Cultura português, o seu Gabinete de Internacionalização?